O Escrevinhador


(continuação do cap. 1)

O jovem rapaz a levou até uma loja de roupas femininas de alta qualidade localizada nas imediações do centro da cidade, mas até chegar à loja não falou nada a respeito. Um pouco antes de entrar na loja ele entrou em uma lanchonete pagou um sorvete para Gláucia. Aquela tarde estava agradável, e merecia algo gelado como um sorvete para deixar ainda melhor o clima. Entre os dois é claro. Na lanchonete os jovens conversaram bastante, finalmente estavam se conhecendo, e estavam muito empolgados em contar as preferências que cada um tinha.
- Que grande surpresa você me deu no meu aniversário. Posso dizer que estou feliz pelo momento.
- Você não viu nada ainda.
Puxando ela pela mão assim que terminaram de se refrescar com a delícia gelada, os dois entraram na loja dita há pouco.
- O que viemos fazer aqui? Perguntou Gláucia.
- Viemos ver roupas. Pelo menos penso isso.
- Mas para quem?
- Ora, logicamente que é para você.
- Não precisa, só a tua presença basta para mim.
- Não seja modesta. Escolha alguma coisa.
- As roupas aqui são caras demais! Sussurrou ela espantada ao ver os preços.
- Por favor, eu insisto. Escolha algo.
- Então vamos fazer o seguinte, já que você quer me dar algo, escolha você.
Ele concordou, e começou a procurar algo que realçasse com sua beleza. Pegava uma peça de roupa nas mãos e olhava para a moça, pensava um pouco, e logo descartava dizendo que ficava boa nela. Ela apenas ria baixinho com o jeito do rapaz. De repente tirou de um cabideiro de camisas e casacos uma camisa de cetim da cor pérola, muito bonita por sinal. Olhou com bastante atenção para seu corpo, para seu rosto, e disse:
- É essa aqui! Prove, veja se fica boa.
A vendedora a conduziu até o provador para experimentar a peça escolhida. Dois minutos mais tarde ela abriu a cortina do espaço reservado para a mudança de roupas dizendo entusiasmada:
- Gustavo! Puxa vida, ficou ótima! Pensei que esta camisa não fosse ficar tão boa em mim, mas me enganei.
- Gostou mesmo? Perguntou o rapaz sorrindo.
- Claro que gostei, mas deve estar muito cara.
A vendedora disse que isso não seria problema para nenhum dos dois, pois a tal camisa tinha entrado em promoção naquela semana. E ainda assim, poderia ter seu preço parcelado sem perder o desconto. Perfeito! Pensou Gustavo com o talão de cheques nas mãos. Feita a compra, resolveram então voltar para casa. Estava quase anoitecendo, e Gláucia ainda que se aprontar para esperar seus familiares.
- O convite feito a mim, ainda permanece? Perguntou Gustavo.
- Claro que sim. Sabe o que estive pensando? Vou colocar esta camisa hoje.
- Que bom, e sabe o que eu estive pensando neste exato momento? Quando nós sairmos para passear gostaria que a usasse novamente, disse o rapaz com voz de empolgação.
- Combinado. E quando vai ser esse passeio? Perguntou Gláucia ainda mais empolgada.
- Que tal nesse final de semana?
- Não sei se posso, por causa do meu filho, mas prometo que se der certo eu te aviso. Ah, agora você pode ligar pra minha casa, já temos telefone.
- Ótimo! Respondeu ele já anotando o número em sua agenda.
A conversa continuou por todo o trajeto de volta a casa, dela obviamente. Ela tinha que ajudar nos preparativos finais para esperar seus familiares e aí então comemorar seu aniversário. Mas antes de chegar em casa passaram na saída do colégio de seu filho para apanhá-lo. Jonas teve uma surpresa ao ver sua mãe no carro de um estranho, mas entrou no carro assim mesmo porque ficou impressionado com a beleza do automóvel.
- Quem é você? Perguntou o menino todo curioso.
- Ele é um amigo meu filho. Eu o conheci no dia que você desfilou pelo colégio no Sete de Setembro.
- Que carro é esse? Perguntou Jonas observando todos os detalhes de seu interior sem dar muita atenção para a mãe.
- É um Alfa Romeo.
- Que bacana, nunca tinha visto um desses. Comentou se acomodando confortavelmente no banco traseiro. E ansiosos pelos preparativos da modesta festa de aniversário foram para casa. Inclusive Gustavo que estava decidido em faltar às aulas daquele dia. Estava disposto a comemorar o aniversário da pessoa que realmente mexia com seus sentimentos, mesmo sendo ainda, por assim dizer, uma estranha.

Muitos beijos e abraços foram dados naquela noite pelos parentes e amigos. Gustavo estava meio sem saber o que fazer, pois mal conhecia a aniversariante. Menos ainda seus amigos e familiares. Foi aí que os pais da moça resolveram conversar com ele, afim de deixá-lo mais à vontade, para descontrair um pouco enquanto Gláucia cumprimentava a todos que lá estavam. Afinal de contas, as visitas eram para ela. Naquela noite a jovem encantadora não pôde dar muita atenção ao seu novo amigo. Mesmo assim trocavam olhares penetrantes de longas distâncias. O rapaz depois de um tempo não se sentia mais uma pessoa tão estranha assim para a família, já estava trocando algumas idéias com seus pais, tios e até com alguns de seus primos, que em outro momento ficou sabendo que pouca gente gostava deles, porque eram considerados chatos.

As horas foram passando, a maioria das visitas já tinham ido embora, estava um pouco tarde, e ele precisava ir embora para que ninguém de sua casa desconfiasse dessa falta às aulas. O rapaz se despediu do resto dos familiares dela e se dirigiu à porta. Prontamente Gláucia passou na sua frente e abriu primeiro dizendo que, se quisesse voltar ela teria que abrir. Então o acompanhou até o portão e despediram com um abraço bem apertado. Ah, nesta noite ela não usou o presente que ganhou do jovem, deixou para quando fossem sair em outra ocasião. Ele pensou que isso seria perfeito.

Gustavo chegou em casa por volta da 23 horas, ninguém desconfiou de nada. Beleza! Pensou ele animado. Porém, quando começou arrumar seu material para o dia seguinte descobriu que tivera perdido uma prova naquela tarde. No horário que tinha saído de casa para procurar a casa de Gláucia acabou esquecendo do compromisso. Aliás, ele já tinha esquecido na noite anterior enquanto pensava onde estaria o endereço dela. Na manhã seguinte saiu cedo de casa a fim de tentar resolver esse pequeno problema. Procurou o professor que aplicou a prova, e com uma situação fictícia contada pelo rapaz tentou convencer o mestre de encaixá-lo em uma outra turma, a fim de fazer a tal prova, sem que isso prejudicasse suas notas, que sempre foram boas. O professor concordou com o pedido sem muita hesitação, e combinou a data que seria aplicada a prova na turma da noite. Muito bem, com o problema resolvido voltou a pensar no possível encontro que teria no final de semana.

Finalmente o sábado amanhecia para seus desejos masculinos, o encontro teria que acontecer. Esperou os ponteiros do relógio apontar para as nove horas e assim poder ligar para a moça. Ansioso por isso, ligou a primeira vez para um número errado, e a ligação caiu em uma clínica veterinária, logo pensou que tivesse sido enganado por ela. Procurou manter a calma, digo, procurou ficar calmo, e tento novamente, desta vez deu certo. Ela mesma atendeu a ligação.
- Alô!
- Alô, por gentileza, eu gostaria de falar com a Gláucia.
- Quem está falando? Ela perguntou com a intenção de descobrir quem era.
- É Gustavo, por um acaso ela está?
- Deixe-me pensar...É, está sim. Você quer falar com ela?
- Sim, eu gostaria muito.
- Vou pensar se a chamo ou não.
- Ei, é você Gláucia?
- Claro que sou eu, tudo bem com você?
- Estou ótimo agora, me diga uma coisa, o que você vai fazer hoje à noite?
- Até agora não tenho nada programado, por quê?
- Gostaria de ir ao cinema comigo?
- Adoraria. E tenho uma boa notícia, vou usar o seu presente.
Com esta palavra positiva marcaram um horário e o rapaz foi buscá-la para passearem juntos. A mãe de Gustavo ficou estranhando o esmero com que se arrumava para sair.
- Vai sair meu filho? Perguntou sua mãe curiosa.
- Vou sair com alguns colegas da faculdade para um aniversário de 15 anos da irmã de um outro colega de classe.
- E você vai ao tal aniversário sem usar gravata?
- Que é que tem?
- Vai ter baile não vai?
- É, vai.
- Então trate de usar uma bonita gravata. Mas diga-me uma coisa: a Verônica vai também ao baile, não vai? Afinal de contas, depois de todos esses anos ela deve conhecer seu colega não é mesmo?
Diante da pergunta desconsertante de sua mãe teve que pensar rápido. Como Verônica era sua namorada tinha que responder com segurança para não despertar dúvidas.
- Não mãe, infelizmente ela não conhece, e se eu a levar com certeza ficará meio deslocada com todo o pessoal querendo festar, e eu quero dar atenção para todos eles.
- Está bem. Tome cuidado e divirta-se, mas... Você quer que eu ajeite melhor esse nó da gravata? Está meio torta.
- Eu agradeceria muito mãe, não tenho muita prática com essas coisas. Depois de tudo bem organizado e sem nenhuma dúvida quanto ao destino de sua saída, era hora de...


CORAÇÕES PERTURBADOS

Cap. 1

Durante o desfile de Sete de Setembro de 1982, Gláucia observava a multidão enquanto esperava seu pequeno filho desfilar junto com seus colegas pela escola. Acompanhada de seus pais e irmãos, estava em pé nas arquibancadas em frente a uma fábrica de ferragens abandonada, bem perto do centro da cidade. Vira passar todos os soldados da aeronáutica, do exército, da polícia militar e do corpo de bombeiros, além dos vôos de helicópteros a aviões. A festa estava bastante animada e com muitas cores, apesar de estar frio e nublado naquela manhã. De repente surgiu no começo da pista do desfile a escola onde seu filho estudava, foi uma empolgação só na sua família, todos gritando o nome do menino bem alto. Evidente que tinha mais pessoas gritando, mas a algazarra feita por eles era bem maior. Isso chamou a atenção de uma porção de gente, e também de um bonito rapaz que estava na mesma arquibancada, porém dois degraus abaixo.

Os alunos (incluindo Jonas, o filho de Gláucia) da escola mais antiga da cidade iam passando com seus uniformes de cor Azul Royal, e usando na cabeça chapeis confeccionados com papelão, e coloridos com as cores da bandeira nacional, e todos, ou quase todos gritavam os nomes de seus filhos durante o desfile. Já o rapaz ficava de costas para o desfile, estava somente olhando para a jovem dos degraus acima. Ao acalmar os ânimos do pessoal, ele resolveu subir os degraus que os separavam. Chegou do lado da moça e começou a conversar:
- Deixe-me apresentar, meu nome é Gustavo. E você?
Estava surpresa com a abordagem, pois nem tinha reparado sua presença na multidão, mas com um grande sorriso respondeu:
- Me chamo Gláucia...
- Diga-me Gláucia, você veio ver alguém desfilar, ou apenas veio ver o desfile?
- Não, vim com minha família admirar meu filhinho em seu primeiro desfile.
- Filho? Acho que vou sair para evitar complicações com seu marido...
- Não, espere! Não sou casada.
- É viúva?
- Não, na verdade sou mãe solteira.
- Ah, sei, sei.
Aquilo soou estranho para Gustavo, até aquele momento não tinha conhecido ninguém nessas condições, mas continuou a conversar devido a sua empolgação. Mas tinha que se apressar para conseguir mais informações sobre ela. O desfile já estava terminando.
- Poderia me passar seu endereço, ou telefone?
- Apenas o endereço, ainda não temos telefone.
- Tudo bem, então anoto o meu neste papel, e quando quiser, espero que seja logo, ligue para mim.
- Não tem problema?
- De maneira alguma.
Uma semana mais tarde Gláucia resolveu ligar para Gustavo, queria conversar um pouco, tentar conhecer mais sua pessoa. Ao ligar teve uma recepção não muito agradável por parte de uma senhora com voz um pouco rouca e nem um pouco calorosa. Deixou passar mais uns dias e resolveu ligar novamente. A mesma mulher atendeu ao telefonema.
- Quem fala? Perguntou a senhora.
- Quem está falando é Gláucia, eu gostaria de falar com Gustavo, seria possível?
- Desculpe minha jovem, mas o Gustavo não poderá atendê-la.
- E quando posso ligar novamente?
- Na verdade eu pediria para que você não ligasse mais para este número. Obrigada!
Diante deste pedido tão "amistoso" achou melhor não tentar de novo para evitar um futuro transtorno em sua própria vida.

Mais alguns dias se passaram, e Gustavo resolveu procurá-la para passear um pouco. Tomou a decisão de que deveria fazer isso mesmo, passou a procurar o endereço anotado em um pequeno pedaço de papel, mas não lembrava qual era. Tirou um dia para fazer uma faxina em seu quarto a fim de encontrar o tal papel. Estava cansado e começando a ficar desanimado. Foi aí que avistou uma pilha de cadernos e livros guardados num canto de sua escrivaninha. Ainda não havia procurado lá, pensou. Ansioso para encontrar logo acabou derrubando tudo pelo chão do quarto. Vários papéis se espalharam, alguns deles inclusive acabaram manchando ao cair em cima de umas gotas de vinho que voaram quando o copo foi atingido pelos livros. Teve sua tarefa interrompida por este acidente, foi obrigado a pegar um pano e uma pequena pá para conseguir juntar os cacos de vidro do copo. Sua mãe já estava se dirigindo a seu quarto interpelar sobre o ocorrido. Visto que o cômodo estava por uma grande desordem indagou se tinha acontecido um terremoto ou era uma enorme faxina. Ao saber que se tratava de uma organização sentiu-se melhor. Ela não sabia, mas o motivo dessa arrumação foi por causa de um endereço.

A paciência do rapaz estava se esgotando, e com raiva de si mesmo por ser uma pessoa relaxada e displicente. Resolveu então tentar por mais uma vez encontrar o tal papel. Cercado por caixas, livros, revistas, e todas as quinquilharias do seu guarda-roupa espalhadas pelo chão, não conseguiu achar nada de seu interesse naquele momento. Aborrecido por não ter alcançado seu objetivo, decidiu então guardar tudo aquilo nos devidos lugares. Talvez se tudo tivesse mais organizado, essas coisas não acontecessem, pensou consigo mesmo. E como num passe de mágica, durante a arrumação acabou encontrando o papel com o endereço. Por pouco não foi jogado fora, pois estava crente que tinha anotado em uma folha de caderneta, ou algo assim, mas tinha anotado em um pequeno guardanapo. De qualquer maneira, estava feliz por ter encontrado. Tratou de arrumar tudo de novo, mas agora tentou organizar suas coisas da melhor maneira possível.

Já estava no meio da tarde quando terminou de arrumar o quarto. Estava um pouco cansado, afinal, organizar um monte de coisas espalhadas não é fácil. Resolveu tomar um banho para tirar o pó e o suor de seu corpo. Enquanto tomava banho ficou pensando em sair de casa mais cedo para descobrir onde a mulher de seus pensamentos morava, e depois iria para a universidade. Gustavo fazia medicina, e faltava apenas três meses para sua formatura, aquilo fazia seus pais sentirem um grande orgulho de seu filho. Realmente era tudo o que queriam para ele. Não era, na opinião do rapaz a melhor coisa para ele, mas como estava sem decisão no momento da escolha do curso quando se inscreveu no vestibular, acabou marcando medicina mesmo, assim agradaria seus pais. Porém, o tempo se passou, e agora que estava no final do curso, ou quase, seria besteira abandonar. Pensava na sua vida depois de se formar, teria que fazer residência em algum hospital. Sabia da dificuldade de conseguir na cidade onde sempre morou, devida concorrência que teria com os outros recém formados. Também sabia de uma certa facilidade em conseguir uma vaga num hospital no interior do Estado, onde seu tio era um médico respeitado, e um dos diretores do hospital, sem dúvida resolveria este pequeno problema burocrático.
Isso era bom pela facilidade em conseguir atuar na área onde estudou. Sua dúvida estava em encontrar uma maneira de esquecer de Gláucia, estava difícil conseguir tal feito. O jovem não conseguia entender como ela ficou tão marcada em sua memória, sendo que só tinha visto por uma única vez apenas. Quando terminou o banho se enxugou rapidinho e se vestiu com um traje diferente, digamos, melhor do que costuma usar. Elogiado pela mãe por ter escolhido aquela roupa sentiu-se motivado em procurar pela casa da moça. Saiu de casa sem maiores explicações, na verdade ele não queria dar nenhuma dica do que iria fazer, pois Gustavo já tinha uma namorada, e esta tinha o apoio total de sua mãe. Portanto não aprovaria estes encontros escusos.

Saiu com seu carro à procura do endereço, estava animado e ao mesmo tempo apreensivo pelo momento. Não sabia o que poderia acontecer quando a encontrasse novamente. Quarenta minutos mais tarde acabou por encontrar a casa dela. Era uma casa de aparência simples, mas parecia ser bastante aconchegante. Desceu de seu carro e bateu palmas, esperou por alguns segundos e resolveu repetir a seção. Pensou ser um endereço errado, mas resolveu esperar para conferir. Quase um minuto depois um senhor veio até o portão perguntar o que queria. Com o pedido para ver Gláucia esperou por mais algum tempo na frente do imóvel, estava um pouco ansioso. Realmente falando, estava bastante ansioso. Ela surgiu na janela da sala para ver quem era, mas não conseguiu reconhecer a pessoa. Decidiu então verificar quem era. Chegando ao portão atendeu o rapaz sem conseguir reconhecer, mesmo assim foi bem simpática.
- Como está você Gláucia, tudo bem?
- Tudo, mas me desculpe, não consigo me recordar de você.
- Eu sou o Gustavo, aquele do desfile de Sete de Setembro. Consegue lembrar agora?
- Mas claro, agora sim. Puxa que bom vê-lo por aqui. Há quanto tempo heim!
- Pois é, mas eu esperei seu telefonema até agora, e se não viesse te procurar nunca mais iria falar com você pelo jeito.
Para evitar conflitos entre ele e sua mãe Gláucia omitiu sobre tal informação mudando o assunto.
- Mas me diga, por um acaso você tem compromisso hoje à noite?
- Por que? Perguntou Gustavo.
- Porque hoje é meu aniversário, e vamos fazer uma reuniãozinha familiar. Portanto, convido a ficar comigo e comemorar meu dia. Topas?
- Topo, mas eu só fico se você vier comigo agora dar uma voltinha.
- Mas aonde?
- Ah, é um passeio,
- Tudo bem.