O Escrevinhador


Cap. 2

Dia seguinte, 10h15, Gustavo ainda estava dormindo, mas sua mãe não quis importuná-lo. Apenas pegou seu terno para escová-lo e guardá-lo no guarda-roupa. Porém, notou que seu filho não estava com o lenço que levara junto, e que era de seu pai. Assim mesmo deixou-o dormir um pouco mais. Quase duas horas se passaram. Ela voltou ao quarto e acordou dizendo que a mesa já estava posta. Mais alguns minutos se passaram, e Gustavo, com o rosto cansado, mas com um ar de contente, fora almoçar.

Mesmo com a surpresa de encontrar Verônica, sua namorada, sentada ali, junto dele, e perguntando: como foi a festa? Irmã de qual de seus colegas fez quinze anos? Dançou com ela também? Por que não me avisou do baile?
- Podemos almoçar primeiro antes de repreensão? Perguntou ele indignado.
- Não estou repreendendo ninguém, estou somente perguntando. Disse assim ela.
- Mas com este tom na voz esta me parecendo uma repreensão. Afirmou ele.
- Ora meus filhos, deixem disso! Almocem. Preparei uma deliciosa macarronada hoje, e ainda, com a maionese preferida de vocês. Se quiserem poderemos ouvir uma música para acompanhar na refeição. Disse assim a mãe de Gustavo.
- Hum! Bonita música esta. Disse Verônica entre uma garfada e outra.
Gustavo não disse nada. Coincidentemente esta era a música que ele e Gláucia ouviram no carro enquanto voltavam do motel. Isso o deixou com seus pensamentos ainda mais distantes.

Gláucia acordara mais cedo que seu, agora, namorado. Afinal, tinha de ajeitar a casa, lavar seu uniforme de trabalho, além de algumas peças de roupa dela, de seu filho, e de algum outro membro da família. E ainda, lavar o lenço que acabara de ficar com ela. Foi aí que percebeu a existência de iniciais gravadas no tecido. E que não eram do Gustavo. Pensou em ligar para ele, avisando-o do esquecimento. Mas sabendo que costumam ficar todos em casa no domingo preferiu não ligar para lá. Poderia, e certamente iria criar suspeitas. Sendo assim, deixou para ligar na segunda-feira de seu serviço.

Na manhã seguinte estava decidida em ligar para a casa dele. E mesmo com um certo receio de criar problemas maiores, resolveu que seria o melhor a fazer. Porém, antes deveria criar uma boa desculpa, ou uma pequena mentira, e para isso deveria ser uma boa, que não criasse dúvidas, nem para a namorada nem para a mãe dele, pois qualquer deslize poria ser romance por água a baixo. Mas isto, a tal desculpa, seria difícil de inventar enquanto tivesse, diante de si, bastante serviço para ser executado. Sabe, era sempre corrido para Gláucia nos começos de semana. E parece que naquele dia as coisas estavam mais complicadas que o normal. Tanto que nem conseguiu sair para o almoço. A conseqüência de tudo isso foi que esqueceu da ligação.

Final de expediente. Estava exausta. Fadigada. Foi embora para descansar. Recuperar suas energias para, no outro dia, ver qual desculpa poderia criar. E em casa, enquanto se preparava para tomar um relaxante banho percebeu que o lenço, motivo de sua atual preocupação, não estava mais consigo. Havia perdido. Como isto poderia acontecer, sendo que sempre foi bem organizada. Pensou na hipótese de terem roubado no ônibus. Mas por que roubariam tal objeto? Pensou. Não tinha explicação lógica para isso. De repente:
- Filha... Telefone para você. É o Gustavo. Parece estar doente, está falando com voz ofegante e em tom baixo. Disse assim a mãe da moça.
- Gustavo? Tudo bem?
- É, estou... Por um acaso você ficou com um lenço naquele final de semana? Perguntou ele eufórico.
- Fiquei. Disse ela.
- Que bom. As coisas aqui em casa ficaram um pouco cansativas por causa deste lenço. Disse assim ele, ainda eufórico. ¿ Poderia me devolver, se não fosse pedir demais, com um pouquinho de pressa? Hoje talvez. Continuou ele.
- Sabe... Eu levei hoje cedo para o serviço para te entregar, mas como tinha bastante coisa para fazer acabei esquecendo. Gláucia assim falou.
- Puxa! Mesmo que não tenha conseguido pegar hoje fico aliviado por saber que está com você. Disse suspirando.
- Mas tem uma coisa... É... Sabe... Não sei bem como dizer. Agora quem estava eufórico era Gláucia.
- Diga, o que aconteceu? Perguntou receando que algo de pior pudesse acontecer.
- Bom, o lenço...
- O que aconteceu com o lenço? Minha mãe e a Verônica não me dão folga um só instante. Querem saber o que aconteceu com este lenço. Por favor, conte logo. Disse assim com a voz já alterada.
- Está bem... Eu não sei onde foi parar, e...
- Como é que é? Perdeu o lenço? Gritou Gustavo do outro lado.
- O que aconteceu com você? Onde está a pessoa agradável que conheci há algum tempo? Não quero que grite assim comigo. Retrucou Gláucia já aos prantos.
- Me desculpe Gláucia, mas este objeto é importante para mim. Disse ele tentando acalmar a situação já um tanto perturbada.
- Tudo bem, o lenço é importante para você. Está querendo dizer que eu perdi o valor a ponto de um simples pedaço de pano ter mais importância do que eu? É isso? Perguntou indignada e impressionada com o pouco caso dispensado pelo rapaz.
- Não quis dizer e nem pensei nesta hipótese. Estou apenas querendo esta coisa para ver se me deixam em paz aqui em casa. E aí então poder pensar em você com mais tempo. Só isso. Falou assim e com uma voz macia na tentativa de acalmar os ânimos da moça. E conseguiu. Com a habilidade que tem para enganar sua mãe e a namorada, a escolhida pelos pais, conseguiu fazer com que as coisas ficassem mais amenas entre eles. E assim, conseguir fazer a Gláucia se esforçasse para encontrar o tal lenço.




(parte final do cap.1)

Novamente estava nervoso, era uma ocasião diferente daquela do aniversário, era uma noite só deles. Nos pensamentos do rapaz nada poderia dar errado. E com esse pensamento positivo chegou no portão da casa e bateu palmas, demorou um pouco e saiu o pai dela na porta, viu quem era e avisou a moça. Enquanto ela terminava de se aprontar o homem veio conversar um pouco para passar o tempo, tudo indicava que o velho tinha gostado do jovem. Não demorou nem dois minutos surgiu Gláucia simplesmente linda com uma saia e um paletó de cor cinza escuro e a camisa de cetim. Os dois se olharam profundamente e deram um largo sorriso. O pai dela olhou para o rapaz e disse todo orgulhoso:
- Essa é minha filha! Portanto tome muito cuidado dela. E também não quero que ela sofra novamente por ninguém. Ah! Quase ia me esquecendo, tenha muito juízo!
- Pode deixar seu Alfredo, ela estará bem cuidada.
Ela se aproximou dele com seus olhos brilhantes de emoção, e num impulso trocaram um terno abraço.
- Como você está lindo! Disse ela radiante.
- Eu só poderia vir desta maneira para me encontrar contigo.
- Quais são as alternativas para esta noite? Perguntou ela empolgada.
- Poderíamos ir ao cinema, ou talvez ir a um restaurante, ou talvez ainda ir dançar, sei lá, você escolhe.
Foi decidido que primeiramente iriam ao cinema, depois era depois, resolveriam o que fazer após o término do filme. Quase duas horas mais tarde o filme terminou, e então surgiu a dúvida. O que fazer agora?
- Você está com fome? Gustavo perguntou a ela.
- Sabe que depois desse filme confesso que estou sentindo um pouco de fome. O que pretende comer?
- Eu é que pergunto. Insistiu ele.
Então foram a um restaurante comer lasanha e tomar vinho. Maravilhoso para se começar um romance, ainda mais quando a noite está um pouco fria. Enquanto apreciavam o vinho, ficaram esperando a comida ser preparada. Momento de conversar um pouco. Gustavo explicou a sua vida meio perturbada, tanto com a família, como no caso com a namorada arranjada pelos pais. Uma situação complicada e inconcebível para os seus pensamentos livres, que queria se relacionar com alguém por amor, e não por dinheiro. Apesar de surpresa com a revelação feita por ele, Gláucia sentia em suas palavras uma grande sinceridade.

Ela, aproveitando o ensejo desses casos amorosos perdidos, contou a história de quando se envolveu com um homem com quase dez anos a mais que ela. Fora enganada pela experiência dele, e deixou-se engravidar pensando ser a melhor coisa para ambos. Ledo engano. Ao saber disso o homem a deixou sem maiores explicações, e simplesmente desapareceu da cidade sem deixar vestígio. Pobre moça, tinha se entregado ao amor inexistente sem saber. Por outro lado, a vida lhe recompensou com seu filho Jonas, esta dádiva foi capaz de preencher a lacuna criada por este relacionamento tempestuoso.

A sorte dos dois que o pedido feito já estava pronto, ambos estavam ficando desanimados para continuar com o passeio tão esperado. E num passe de mágica esqueceram das más lembranças, voltando atenção para o vinho e a lasanha. Após o jantar descansaram um pouco e Gustavo resolveu pedir uma taça de licor para ajudar na digestão, além de criar um clima mais descontraído. A moça nesse momento o olhava com carinho, e ao mesmo tempo com uma certa malícia. Sem demora os dois entrelaçaram suas mãos firmemente, e depois começaram com carícias sobre as mãos e braços. Os olhares estavam ardentes naquele exato momento, se aproximaram o máximo permitido pela mesa e trocaram um leve beijo. Aquilo parecia incendiá-los por dentro. Então o rapaz pediu a conta e saíram à procura de um lugar mais aconchegante, ou mais apropriado para afagos e afetos.

Pegaram o carro e saíram por aí, sem direção. Gláucia estava sentada com ligeira inclinação para o lado esquerdo, quase se encostando no ombro do rapaz, de repente começou alisar os cabelos dele de maneira bastante carinhosa. Gustavo lembrou de um lugar apropriado para namorar, além de poder realizar certos carinhos pouco usuais diante das multidões. Ela percebeu sua intenção, no início ficou um pouco apreensiva, mas logo relaxou, e sem muita demora resolveu deslizar a outra mão sobre as pernas dele enquanto dirigia o veículo. Seus instintos masculinos afloravam a cada deslizada de mão da jovem, isso fez com que o carro alcançasse velocidades incríveis. E em poucos minutos chegaram na entrada do primeiro motel. Como era sábado de noite, estava cheio, mas não se alarmaram, passaram então para o seguinte. Era um pouco longe, mas era bom, estava com seus preços bons também, e ainda tinha quartos disponíveis, resolveram ficar.

Pararam com o carro na garagem do apartamento indicado na recepção. Sem hesitar um minuto sequer, desceram os dois apressadamente do automóvel e se dirigiram para dentro do lugar. Primeiramente trocaram longos e intensos beijos, ainda numa pequena sala com duas poltronas confortáveis, uma mesinha de centro, e um espelho fixado em frente à porta, depois começaram a se despir. Gustavo tirou o blazer dela, deixando cair no chão, em seguida soltou os cabelos sedosos da moça. Tudo isso sem parar com os beijos. Após esses primeiros movimentos o rapaz começou a beijar delicadamente o pescoço, o que a deixou ainda mais excitada. E com um movimento a deixou de costas para ele, e os dois ficaram de frente para o espelho. Então ele continuou com os beijos no pescoço enquanto ela se olhava e se contorcia de arrepios. Agora quem fazia as carícias era ele, deslizando suas mãos nos seios e nas pernas dela. Neste momento ela já estava com seus mamilos eriçados, nitidamente visíveis até por fora da roupa, e no meio de suas coxas estava deliciosamente úmido.

Gláucia queria mais que carícias, mas pensou em prolongar ainda mais as preliminares. Vagarosamente se virou para ele e começou a despi-lo. Afrouxou o nó da gravata e retirou do pescoço do rapaz, em seguida tirou o paletó e começou a desabotoar a camisa dele. Voltaram a se beijar intensamente, porém agora mais maliciosos que antes, pois Gustavo baixou a saia e a calcinha dela, e passou a cariciar as nádegas após despir a parte de baixo das vestes da moça. Ela retribuiu tais movimentos tirando por completo a camisa, calça e cueca do amante. Ensandecidos pelo prazer Gustavo a tomou em seus braços e a levou para a cama ainda vestida com a camisa de cetim, só após terem realizado o ato propriamente dito é que ela se despiu por completo. Descansaram um pouco e partiram para uma nova investida em meio a uma saraivada de beijos, mas desta vez foi mais elaborada que a anterior. Variaram de posições durante algumas vezes para ficar mais emocionante. E realmente conseguiram deixar mais emocionante, o orgasmo alcançou o estágio de delírio nos dois. Ao concluírem este último ato sexual foram se lavar na ducha do banheiro, e depois foram até a banheira de hidromassagem para poderem descansar melhor.

Ouvindo música e bebendo vinho os dois descansavam na banheira enquanto a água os massageava com suas borbulhas. Mais calmos começaram a conversar, coisas de seus cotidianos estudantis, profissionais e pessoais. Gláucia trabalhava em uma empresa aérea vendendo passagens, trabalho diferente de suas intenções, que era de atuar na área odontológica. Se queixou para ele da frustração de ter a formação acadêmica em uma determinada ciência, e por falta de opção ter de trabalhar em outra completamente diferente. Mesmo gostando de sua profissão não era o que esperava para seu futuro. Além do mais seu salário não era dos melhores, mas para sua sorte não precisava pagar aluguel, e ainda recebia uma ajuda financeira de seus pais. Se não fosse assim seria difícil viver com dignidade, completou ela meio aborrecida com sua situação.

Gustavo pacientemente ouviu toda a indignação dela e também contou suas frustrações e futuros problemas que teria de enfrentar. O primeiro era o da namorada que queria casar com ele, na verdade queria casar com o sobrenome que ele tinha, pois assim lhe traria status. Certamente isso iria impulsioná-la para uma vida melhor. Um outro problema era ter que fazer sua residência (estágio na medicina) no interior do Estado, no hospital onde seu tio era um dos comandantes, digamos assim. Mas explicou a ela que não queria deixá-la de maneira alguma, e tentaria de tudo para não ficar longe de sua companhia. Mesmo a situação sendo difícil para os dois nesse sentido, ele acreditava que poderia haver uma união duradoura entre os dois, ou, entre os três, já que ela tem um filho.

Com palavras emocionantes e cheias de carinho voltaram a se beijar. Ainda sentados os dois trocavam carícias enquanto a água borbulhava. Num movimento ficaram de joelhos na banheira, Gláucia resolveu ousar a partir daí:
- Sente na borda da banheira com as pernas abertas. Falou ela meio encabulada. Sem saber do que se tratava ele seguiu as instruções.
Com carinho e cheia de desejos, mas sem experiência com esta prática sexual ela deu alguns beijos no pênis do rapaz e logo o colocou quase que inteiro em sua boca.
- O que você está fazendo? Perguntou o rapaz assustado.
- Você não gosta? Soube através de revistas que homens gostam disso.
- Na verdade nunca ninguém fez sexo oral em mim. Disse ele.
- E eu também nunca fiz isso com ninguém. Estou fazendo isso porque pensei que fosse estreitar mais nosso relacionamento, deixando de lado algumas de nossas inibições. Disse a moça tentando se explicar da ação inesperada. Quanto à história de nunca ter feito sexo oral era mesmo verdade.
- Na verdade gostei. É que é novidade pra mim. Comentou. Sendo assim continuou com a prática. E mesmo sem os dois terem experiência neste tipo de "assunto" o rapaz gostou do tratamento. Então, para retribuir essa atitude Gustavo também fez essa modalidade de sexo nela. Pode-se dizer que Gláucia foi à loucura nesse momento. Após a noite de prazer e intensa felicidade os dois resolveram voltar para casa, mas isso já era quase duas horas da madrugada. Vestiram suas roupas com o cuidado de parecer que nada de mais aconteceu entre eles. Uma última conferida no espelho do quarto os dois fizeram. Estava tudo perfeitamente como antes. Hora de ir embora.

Passaram no guichê do motel para pagar a estadia. Acertaram tudo e foram embora, muito satisfeitos. Afinal de contas tinham acabado de se conhecerem melhor. Bem melhor. Com ares de satisfação foram embora quase sem falar nada um para o outro. Estava bom do jeito que estava; sem palavras inúteis, sem comentários desnecessários, sem nada que parecesse demais. Apenas a música que tocava no rádio acompanhada da mão de Gláucia repousada carinhosamente sobre a perna de Gustavo. Alguns longos minutos depois o casal parou em frente à casa da moça e se despediram com um apaixonado beijo. Típico para uma situação como esta.
-- Quer que eu te ligue amanhã? Perguntou Gláucia.
-- Prefiro eu mesmo te ligar, se não se incomoda é claro. Você já sabe como é minha mãe creio eu. Disse ele.
-- Tudo bem, então. Disse ela.
E trocaram mais um longo e apaixonado beijo antes dela sair do carro. E entre afagos e pequenos beijos os dois se despediram. A moça, sentindo-se leve como uma pluma, nem percebeu que esquecera de devolver o lenço do rapaz, que estava guardado distraidamente em seu bolso, para ele. Mas não deu muita atenção. Afinal de contas poderia ser um sinal de desculpa para buscá-lo outro dia.